Dólar Bate R$ 6 pela Primeira Vez na História; Propostas de Isenção de IR e Cortes de Gastos Dividem o Mercado

O dólar alcançou um marco histórico nesta quinta-feira (28), superando a barreira dos R$ 6 pela primeira vez. Às 15h10, a moeda norte-americana registrava alta de 1,18%, cotada a R$ 5,9824, após atingir R$ 6,0029 na máxima do dia. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, também refletiu o clima de incerteza, com queda de 1,34%, chegando aos 125.957 pontos.

Os movimentos ocorrem em meio à repercussão das novas medidas econômicas anunciadas pelo governo. Na véspera, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhou um pacote de cortes de gastos, projetando economia de R$ 70 bilhões para os anos de 2025 e 2026. Além disso, foi proposta a isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cenário Econômico

A desvalorização do real e a instabilidade do mercado refletem a preocupação dos investidores com a sustentabilidade fiscal do país. Nos últimos meses, a moeda brasileira tem sofrido fortes pressões, acumulando alta de 21,84% do dólar no ano. Já o Ibovespa apresenta perdas de 4,85% em 2024.

De acordo com analistas, o pacote de medidas econômicas deixou dúvidas quanto à capacidade do governo de equilibrar as contas públicas. Embora os cortes de despesas sejam bem-vistos, a isenção do IR pode gerar um impacto fiscal significativo, estimado entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões anuais.

“Era esperado que o anúncio fosse um marco positivo para reforçar o compromisso do governo com o arcabouço fiscal. No entanto, a inclusão da isenção de IR gerou incertezas sobre a compensação das receitas”, avaliou Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos.

Impacto das Medidas

Entre as ações anunciadas estão restrições ao crescimento do salário mínimo e ao abono salarial, além da criação de uma alíquota de até 10% para rendas acima de R$ 600 mil por ano. Apesar disso, economistas questionam se tais medidas serão suficientes para contrabalançar a renúncia fiscal provocada pela ampliação do limite de isenção do IR.

Segundo o ministro Haddad, o impacto da isenção será compensado por medidas que aumentem a tributação sobre os mais ricos, mas o mercado mantém a cautela. “Investidores buscam previsibilidade. Sem clareza sobre como essas medidas serão implementadas, a tendência é de posicionamento defensivo”, afirmou Matheus Pizzani, economista da CM Capital.

Bolsa e Moeda em Declínio

Enquanto o dólar se valoriza, o Ibovespa segue em retração, com queda de 1,73% na sessão anterior e perda acumulada de 1,57% no mês. A desconfiança do mercado quanto à trajetória fiscal do Brasil pesa sobre os índices, destacando a necessidade de maior detalhamento e previsibilidade nas ações do governo.

Relacionadas

Últimas notícias