Os Estados Unidos estão considerando a implantação de mísseis de médio alcance no Japão como parte de uma estratégia de reforço militar frente à crescente influência da China nos mares do Leste e Sul da China, segundo informações publicadas pelo jornal japonês Sankei no último sábado. O relatório, que cita fontes anônimas envolvidas nas relações entre os dois países, destaca que o plano pode incluir armas hipersônicas de longo alcance e mísseis Tomahawk.
A proposta surge em meio à intensificação das tensões regionais, com o Japão e os EUA buscando fortalecer suas posições em áreas estratégicas próximas a Taiwan, visando estabelecer a chamada “Primeira Cadeia de Ilhas”, que vai do Japão até a Indonésia e tem o objetivo de conter as forças chinesas. A ilha de Kyushu, no sul do Japão, está sendo considerada como um possível local para a instalação dos mísseis.
Além disso, as administrações dos EUA reafirmaram o compromisso de apoiar o Japão em sua disputa territorial com a China sobre as ilhas Diaoyu (conhecidas como Senkaku no Japão), uma área altamente contestada no Mar da China Oriental. A China reivindica as ilhas como parte de seu território “desde tempos antigos”, enquanto os EUA têm se posicionado ao lado do Japão no impasse.
Pequim respondeu com críticas à possível implantação de mísseis, pedindo que os EUA “adotem uma atitude responsável” e alertando que a medida poderia trazer instabilidade à região. A China está envolvida em disputas territoriais não apenas com o Japão, mas também com Filipinas, Malásia, Brunei e Vietnã, no Mar da China Meridional, uma área vital para o comércio global.
Atualmente, há cerca de 61.000 soldados americanos estacionados no Japão e outros 28.000 na vizinha Coreia do Sul, evidenciando o comprometimento dos EUA em manter sua presença militar na região. Nos últimos anos, os EUA intensificaram os exercícios militares conjuntos com seus aliados, visando reforçar a segurança e demonstrar sua posição contra as reivindicações territoriais da China.
A China também criticou a recente aprovação de uma lei de defesa pelos EUA que amplia a assistência militar a Taiwan, uma ilha autogovernada que Pequim considera parte de seu território. Em dezembro de 2023, o Ministério das Relações Exteriores da China expressou forte oposição à Lei de Autorização de Defesa Nacional dos EUA, que prevê um gasto militar de US$ 858 bilhões, incluindo até US$ 10 bilhões em assistência de segurança para Taiwan, uma medida que Pequim considera prejudicial à paz e estabilidade no Estreito de Taiwan.
A crescente presença militar dos EUA e seus aliados na região asiática, bem como o apoio a Taiwan, reforçam a centralidade da China nas preocupações de segurança nacional dos Estados Unidos. A escalada de tensões entre as duas potências levanta preocupações sobre a estabilidade a longo prazo na região do Indo-Pacífico.
