Uma operação da Polícia Civil realizada na madrugada desta terça-feira (3) resultou na prisão de oito pessoas suspeitas de envolvimento em desvios milionários de recursos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, no interior de São Paulo. Os mandados de prisão foram cumpridos pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), em uma investigação que ocorre paralelamente ao inquérito sobre o desaparecimento e possível assassinato de Cláudia Lobo, secretária executiva da entidade, que está desaparecida desde agosto deste ano.
Entre os presos estão familiares próximos de Cláudia Lobo, incluindo sua filha, irmã, cunhado e ex-marido, além de funcionários da Apae. Um dos mandados de prisão foi expedido contra o ex-presidente da Apae, Roberto Franceschetti Filho, que está detido desde agosto sob a acusação de ter cometido o homicídio de Cláudia. Todos os presos são investigados por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Desvios Milionários e Investigações Paralelas
De acordo com o delegado Glaucio Stocco, responsável pela operação, os desvios investigados envolvem quantias milionárias de recursos públicos que, supostamente, foram desviados pela administração da Apae durante a gestão de Roberto Franceschetti Filho. “A investigação busca apurar desvios de recursos na Apae, e como grande parte desses valores tem origem pública, os crimes investigados envolvem peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro”, afirmou o delegado.
Na operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços. Entre os itens apreendidos estão celulares, computadores, veículos, joias, dinheiro e armas não registradas, incluindo uma arma de fogo de um ex-policial que prestava serviços de segurança para a Apae. Além disso, a polícia requisitou o bloqueio dos bens dos suspeitos para evitar o escoamento de possíveis ativos ilícitos.
Colaboração da Apae e Perícia Contábil
Em nota, a Apae de Bauru informou que está colaborando integralmente com as investigações e que a perícia contábil e financeira na entidade segue em andamento. A perícia está focada nos anos de gestão de Roberto Franceschetti Filho, que compreende o período de 2022 a 2024. A instituição também destacou que os serviços prestados aos usuários nas áreas de Assistência Social, Educação e Saúde seguem normalmente.
A Apae reafirmou sua confiança no trabalho da Polícia Civil e reiterou que todas as investigações estão sob segredo de Justiça.
O Caso de Homicídio de Cláudia Lobo
A operação de hoje é parte de uma investigação mais ampla que também apura o desaparecimento e assassinato de Cláudia Lobo. Em agosto, a Polícia Civil concluiu que Cláudia foi assassinada por Roberto Franceschetti Filho, embora o corpo ainda não tenha sido encontrado. O assassinato teria ocorrido dentro do carro da Apae, após uma discussão entre a vítima e o ex-presidente da entidade. Segundo as investigações, Roberto disparou um tiro contra Cláudia antes de abandonar o veículo na região do bairro Vila Dutra, em Bauru.
Imagens de câmeras de segurança e registros de sinal de celular ajudaram a confirmar a versão da polícia, mostrando a movimentação de Roberto no local onde o carro foi encontrado. O ex-presidente da Apae foi indiciado por homicídio e ocultação de cadáver, enquanto Dilomar Batista, um ex-funcionário da Apae que ajudou no descarte do corpo, foi indiciado por ocultação de cadáver e fraude processual.
Detalhes da Motivação
As investigações apontam que havia uma disputa de poder entre Cláudia Lobo e Roberto Franceschetti Filho, o que teria motivado o crime. Roberto, que foi colocado na presidência da Apae por Cláudia, tentou desviar as investigações inicialmente, sugerindo que um familiar da secretária poderia ser o responsável pelo desaparecimento.
A polícia também encontrou inconsistências financeiras nos registros da Apae, com indícios de desvios de verbas. A coordenadora financeira da entidade confirmou que Roberto liberava adiantamentos falsamente registrados como pagamentos a fornecedores, mas que, na verdade, eram direcionados para a própria conta de Cláudia.
Andamento das Investigações
A prisão de Roberto Franceschetti Filho foi decretada pela Justiça de Bauru, e o inquérito sobre o homicídio foi finalizado em outubro, sendo encaminhado ao Ministério Público. Dilomar, que ajudou no descarte do corpo de Cláudia, segue sendo investigado em liberdade, já que os crimes pelos quais foi indiciado têm penas mais brandas.
A primeira audiência do caso está marcada para janeiro de 2024, e o caso continua sendo acompanhado de perto pela sociedade e pelas autoridades.
A Polícia Civil segue investigando tanto os desvios de recursos na Apae quanto o assassinato de Cláudia Lobo, com o objetivo de desmantelar a possível rede de crimes e responsabilizar todos os envolvidos.
