Na última sexta-feira (6), Silvio Almeida foi oficialmente demitido do cargo de Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após uma série de denúncias graves. A seguir, uma cronologia detalhada dos eventos que levaram à sua saída do governo:
5 de setembro
- 20h: A organização Me Too Brasil confirmou o recebimento de denúncias de assédio sexual contra Silvio Almeida. As vítimas, conforme o comunicado, enfrentaram dificuldades para obter apoio institucional e optaram por tornar o caso público após o portal “Metrópoles” relatar que a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, seria uma das vítimas. A CNN confirmou que Franco teria sido alvo de assédio.
- 20h45: O Instituto Luiz Gama, fundado por Almeida, alegou que as acusações eram mentirosas e parte de um movimento para derrubá-lo devido a racismo e ciúmes. O instituto argumentou que Almeida estava sendo alvo de tramas para enfraquecê-lo no cenário político.
- 21h15: Almeida repudiou com veemência as acusações, afirmando que elas tinham o intuito de prejudicá-lo e apagar sua luta pelos direitos humanos. Ele expressou tristeza e raiva pelas alegações, que considerava injustas.
- 21h25: O Planalto iniciou uma avaliação sobre o futuro de Almeida, considerando as possibilidades de demissão, afastamento temporário ou permanência no cargo. A decisão foi considerada sensível, especialmente devido ao envolvimento de Anielle Franco.
- 23h18: O governo federal reconheceu a gravidade das denúncias e convocou Almeida para prestar esclarecimentos. Foi iniciada uma investigação pela Comissão de Ética da Presidência da República.
6 de setembro
- 7h46: Almeida foi convocado para uma reunião no Planalto para discutir as acusações. Apesar de ter reunido provas em sua defesa e contratado advogados, a situação era considerada delicada devido às alegações.
- 8h26: A esposa de Almeida, Ednéia Carvalho, expressou apoio ao marido nas redes sociais e sugeriu que as denúncias eram uma forma de vingança por pessoas que se sentiam ofuscadas por seu trabalho.
- 8h47: A Polícia Federal anunciou que abriria um inquérito para investigar as denúncias contra Almeida. As investigações incluiriam depoimentos dos envolvidos.
- 9h05: Integrantes do governo aconselharam Almeida a pedir demissão, mas ele estava resistente, acreditando que as apurações internas poderiam resolver a situação.
- 9h20: A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi notificada do pedido de Almeida para investigar as denúncias de calúnia e afirmou que o caso seria enviado à primeira instância.
- 10h: A Comissão de Ética Pública convocou uma reunião de emergência para tratar das denúncias contra Almeida.
- 10h20: Almeida acionou a Justiça para obter explicações do Me Too Brasil sobre as denúncias, pedindo que fossem enviadas em até 48 horas.
- 10h40: A oposição na Câmara dos Deputados apresentou pedidos para convocar Almeida para prestar explicações sobre as denúncias de assédio.
- 12h: O Ministério das Mulheres classificou as acusações como graves e defendeu que sejam investigadas com rigor, reforçando a importância da proteção às vítimas de assédio.
- 15h: A bancada feminina do Senado Federal também pediu uma investigação rigorosa sobre o caso.
- 15h13: Anielle Franco foi ouvida por representantes do governo sobre as alegações de assédio sexual.
- 18h21: Almeida contratou Thiago Turbay, advogado conhecido por sua atuação em casos de repercussão nacional, para sua defesa.
- 18h43: Lula e Almeida se reuniram no Planalto para discutir o futuro do ministro.
- 19h: O presidente Lula decidiu pela demissão de Silvio Almeida, alegando que a continuidade no cargo se tornou insustentável diante das graves acusações.
- 20h34: Rita Cristina de Oliveira, secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos, pediu demissão, manifestando lealdade a Almeida.
- 20h50: Almeida divulgou uma nota confirmando que havia solicitado sua demissão para permitir uma apuração mais isenta das acusações e reiterou seu desejo de provar sua inocência.
- 21h: Esther Dweck foi nomeada interinamente para o Ministério dos Direitos Humanos até a definição de um novo titular.
A crise envolvendo Silvio Almeida evidencia a seriedade com que o governo e a sociedade tratam as denúncias de assédio sexual e ressalta a complexidade das situações envolvendo figuras públicas em posições de poder.
